Ser “só” mãe importa?

 

Pouco tempo depois que meu pai chegou, ele me chamou para uma conversa séria. Ele estava preocupado comigo, preocupado que eu tivesse me perdido muito dentro da maternidade. Ele acha que é hora de olhar para mim novamente, me dedicar a uma carreira, reganhar independência financeira, focar no futuro. Para ilustrar seu ponto de vista e me persuadir, ele usou como exemplo a própria mãe. Minha avó escolheu se dedicar integralmente aos 7 filhos, o que na época não gerava qualquer estranheza, na verdade era o esperado, mas ela foi dessas mães que curtia de verdade a companhia dos filhos pequenos numa época quando crianças eram para serem vistas e não ouvidas. Meu pai contou, e até então eu não sabia, que minha avó era dessas que sentava no chão para brincar, ensinava os filhos a jogar baralho, deixava com que eles desmontassem a casa, fazia lanches para turma de amiguinhos. Sentado na minha cozinha, meu pai, com os olhinhos brilhando, relembrou sua infância feliz. No entanto suas feições endureceram minutos depois, ao afirmar que nada disso parecia importar agora; ele e seus irmãos pareciam nem lembrar. Não que meu pai e tios sejam particularmente ingratos, são apenas “crescidos.” Sabe como é, a vida e sua sede incessante por continuidade. Os filhos da minha avó cresceram e formaram suas próprias famílias e à ela restou uma aposentadoria de quem nunca teve uma carreira. Leia mais

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Dias de luta, dias de glória 

Ah, não me venham com seus poemas e suas flores, hoje não é dia de celebrar nossa pseudo delicadeza, beleza ou dom de gerar vida. Hoje é dia de rejeitar o chauvinismo masculino, combater a misoginia e refletir sobre os conceitos patriarcais ainda existentes em nossa sociedade. Hoje é dia de celebrar o Feminismo não só como um movimento de grande relevância histórica, mas como ideologia de vida para o presente. Hoje é dia de desmentir mitos e propagar verdades.

Que me desculpe William Shakespeare mas fragilidade, teu nome nunca foi mulher! Leia mais

O Menino e a Cozinha

Eu passo uma quantidade de tempo alarmante me preocupando com meu filho. Se você é mãe (ou pai) deve saber bem do que eu estou falando. Me preocupo com uma infinidade de coisas, desde coisas mais corriqueiras que vivemos agora como “será que ele está passando frio? Dormindo bem? Comendo vegetais o suficiente?” a coisas mais complexas em possíveis senários futuros. Me preocupo com bullying, má influência de amizades, drogas–como eu me preocupo com drogas!– mas posso afirmar com toda convicção que nunca, nunquinha, nesse mar de interrogação no qual navego, perdi um segundo de sono ou do meu dia me preocupando com quem meu filho amará no futuro. Leia mais

Pai Não É Mãe

Hoje eu contei um número maior de pais do que de mães no parquinho. No meio da tarde de uma quinta-feira. Lá estava um pai empurrando o balanço, lá estava um pai empurrando a bicicleta, lá estava um pai empurrando as barreiras impostas pelo rótulo de que pai ajuda apenas. Pai correndo atrás da cria e talvez atrás do prejuízo emocional coletivo causado por essa ideia de que pai precisa prover somente o financeiro. Pai troca fralda, pai limpa meleca, pai ampara o filho. No final do escorregador e na vida. Mas mãe é mãe, não é? É. É sim. E pai é pai. Leia mais

A Mamãe Fica na Foto

E então a fotógrafa sugeriu: eu sei que você não quer estar na foto mas segura o Liam e me deixa tirar só uma, vai. Usando um vestido velho que já usei antes incontáveis vezes, com as unhas não-feitas como de costume e a tinta no cabelo necessitando urgentemente de um retoque, fui lá meio sem jeito e fiz o que eu faço com absoluta maestria, em todos os meus sonhos, mesmo sentindo qualquer desconforto, de olhos fechados: peguei meu filho nos braços.

Eu me senti inadequada fazendo o que eu faço de melhor nessa vida que é carregar a minha cria, simplesmente porque uma câmera estava apontada em minha direção. Me veio a certeza de que ao olhar a foto eu enxergaria todas as razões pelas quais eu tão frequentemente evito olhar no espelho. Os quilos a mais, a cara de cansaço, a falta de maquiagem e esmalte. Provas irrefutáveis de que, quase um ano e meio depois, ainda não aprendi a equilibrar meu lado mãe com meu lado mulher. Numa fotografia isso fica evidenciado de forma alarmante. Tinha medo de olhar e encontrar apenas um fantasma de quem eu costumava ser.No entanto, para minha surpresa, o que ficou evidenciado na fotografia foi apenas a realização de uma mulher vivendo seu momento mãe. Não enxerguei minhas inseguranças e problemas de autoestima. Me vi MÃE. Uma mãe que se doa totalmente e deixa o cansaço de lado praticamente todos os dias e corre atrás do filho nesse mesmo parque só para fazê-lo feliz. Leia mais

De uma mãe para outra: abrace seus filhos! 

Eu estava colocando o Liam para dormir (ele faz a soneca da tarde na minha cama), quando ele adormeceu resolvi checar o Facebook rapidamente antes de levantar para fazer as milhares de coisas que tenho para fazer. Esse era o plano. Até ler o post de uma mãe de 8 que uma amiga americana havia compartilhado. Gente, não consigo levantar! Não consigo soltar meu filho. Chorei. Fiquei profundamente comovida. Por isso que nos meus textos do Instagram falo tanto em valorizar os pequenos momentos que temos com nossos filhos. É tão fácil focar nas dificuldades do dia-a-dia, gente. É tão fácil se estressar diante da montanha de afazeres diários. É tão fácil deixar passar a felicidade que pode ser encontrada nos pequenos detalhes. Por isso que tento sempre encontrar poesia nos banhos na pia e música na correria pelos corredores de casa. Mas no momento eu gostaria de compartilhar com vocês as palavras dessa mãe que são infinitamente mais tocantes do que qualquer coisa que eu possa escrever. É longo mas eu tive que traduzir. Merece ser lido por todas as mães: Leia mais

Comportamento Animal

Liam amou dar comida as cabras no zoológico hoje. Não consegui tirar fotos dele porque eu precisava das duas mãos para segurar a mãozinha dele bem aberta com medo que as cabras mordessem o dedinho dele. Mas ele amou! Elas vinham com a língua na mão dele e ele morria de rir porque sentia cóceguinhas. Coisa mais amada da vida!

Não sei se foi noticiado aí no Brasil mas aqui no início da semana a atenção coletiva do país se voltou para um caso que aconteceu no zoológico de Cincinnati. Um menino de 4 anos pulou a cerca, engatinhou pelos arbustos e foi para dentro do fosso que rodeava a área dos gorilas. No vídeo que alguém no local conseguiu filmar, você consegue ver o gorila primeiro tentando proteger a criança e depois, agitado por causa dos gritos das pessoas, arrastando a criança pela água. Você escuta também os gritos da mãe do garotinho, tentando transparecer uma calma que eu tenho certeza que ela não sentia naquele momento, para acalmar o filho. Ela repetia: a mamãe está aqui, a mamãe está bem aqui. Como mãe, não tem como não sentir o coração apertar assistindo aquela cena. Leia mais

Você importa!

Com frequência eu me questiono até onde devo expor meus sentimentos por aqui. Afinal, não estou protegida por qualquer anonimato. Aqui está a minha vida. Escancarada para quem quiser entrar. Aqui exponho o meu bem mais precioso. E não foi uma escolha feita sem pensar, sem pesar os possíveis riscos. Mas aqui estou. Aqui estamos. Vocês sabem mais ou menos de onde eu sou e onde estou e como penso. E na maioria dos dias vocês sabem também exatamente como estou me sentindo. Mas às vezes me questiono até onde devo ir com minha transparência. Principalmente porque sei que familiares e amigos leem meus textos, gente que me conhece na “vida real,” gente que conhece meus pais.

É verdade que de vez em quando tento resguardar meu coração. Mas é verdade também que não consigo. Acabo escrevendo exatamente o que me aflige. Primeiro porque, como já disse tantas vezes, vocês são minha terapia. E se for para chegar aqui fingindo viver num mar de rosas, em que isso me acrescentaria? Mas exponho meus reais sentimentos principalmente porque sempre penso: e se outras mães estiverem passando por isso? E se elas também tiverem medo/vergonha de falar? Acabamos carregando caladas para sempre pesos, culpas e preocupações quando seria tão mais fácil e saudável conversar. Então aqui estou eu conversando. Ou melhor, escrevendo. E buscando aliviar dores emocionais. Leia mais

O Cachorro de Pelúcia e a Epifania Materna

6 horas da tarde. Aquele horário quando as crias estão exaustas depois de um dia cheio, estão com fome, e você, também cansada e com fome, tenta apressar o jantar em meio a choros e reclamações. A “hora das bruxas,” alguns diriam. Me parece um termo apropriado.

Deixo o Liam brincando no quartinho dele enquanto eu vou à cozinha providenciar o jantar. Mal abro a geladeira e já escuto as reclamações dele. Tento ignorar. Ele está com fome, eu penso. Melhor me apressar. Começo a cortar vegetais. Mais reclamações, agora mais altas. Converso com ele enquanto continuo cortando mas agora as reclamações viraram choro. Largo a faca. Lavo as mãos e vou até lá. Entro no quarto já exasperada. “Nossa, filho. Você não sabe ficar um minuto brincando sozinho enquanto a mamãe faz algo!” Aí percebo que as reclamações iniciais na verdade não eram reclamações. Ele esteva latindo. Sim, ele estava imitando um cachorrinho. Era sua forma de me dizer que queria o cachorro de pelúcia que estava dentro do berço e ele não conseguia alcançar. Quando a tentativa de comunicar uma vontade sua fracassou, ele então se pôs a chorar. Olhei para aqueles olhos azuis cheios de lágrimas e senti uma dorzinha no coração. Meu filho queria algo tão simples. Ele apenas não sabia pedir. Leia mais

Culpa Eterna de Uma Mente Materna



Ontem a noite foi punk. Aliás, punk é pouco. Foi heavy metal no último volume no replay. Liam sentiu dor de barriga e diarreia o que culminou numa assadura feia no bumbum dele. Perdi as contas de quantas fraldas eu troquei pela madrugada ao som de muito choro. Às 2:30 da manhã, estávamos os dois abraçados embaixo do chuveiro, exaustos. Às 3, o cansaço venceu e finalmente dormimos. Só para acordar às 5 com mais fraldas sujas e gritos.

Fomos para o sofá e lá ficamos o resto da manhã. Colados um ao outro com a camaradagem, confiança mútua e exaustão daqueles que acabaram de enfrentar juntos uma batalha exaustiva. Às 3 da tarde fomos ao pediatra.
Nada demais. Ele provavelmente comeu algo que não caiu bem. Penso eu que foram as batatas no azeite de oliva e alecrim que eu fiz para o jantar. Vai passar. Ele já está melhor e apesar do bumbum assado, continua sorrindo, brincando e de bom humor. Mas, como sempre acontece quando estou sentada esperando pelo pediatra numa consulta que NÃO é de rotina (o que, graças a Deus não é com frequência), me pergunto se eu estaria ali, se meu filho estaria ali naquela situação caso eu tivesse conseguido amamentar. Leia mais