Você é linda, você é forte, você é corajosa!

Voltei pra Zumba. 2 anos e meio e um filho depois, estou de volta. Quer dizer… mais ou menos de volta. Iniciei o processo.

Eu era dessas que chegava cedo, garrafa de água em mãos e tênis colorido nos pés, só para conseguir um lugar na frente. Gingado brasileiro no meio da “gringaiada” toda, vocês sabem como é. De tanto ouvir que era boa, pensei até em fazer curso para ser instrutora. Vi as datas, o preço, tudo quase acertado… aí veio o Liam. E com ele uma maneira estranha de viver onde eu não mais era o centro do meu próprio universo.


Essa semana voltei. Foi difícil me enxergar no espelho. Já não pego os passos com facilidade e em alguns momentos chegava a virar o rosto para não ver a cena. A flacidez das coxas, a barriga saliente, os seios fartos. Lutei para conseguir chegar até o final da aula, não só porque meu preparo físico não é o mesmo mas principalmente porque eu tentava desesperadamente enxergar naquele espelho quem eu costumava ser e essa pessoa não existe mais. Perseverei. Fiquei até o final e encarei de frente aquela nova mulher que me olhava com insistência.

Fiquei pensando… Por que parece ser tão difícil para algumas de nós amar o corpo responsável por trazer nosso maior tesouro ao mundo? Por que é tão difícil aceitar as estrias, o quadril largo, os seios caídos quando essa é uma nova realidade tão comum a maioria de nós? Por que as pessoas associam tanto magreza com beleza e beleza com felicidade?

Não vão faltar palpites para você, do momento que você anuncia sua gravidez não faltarão opiniões alheias. Não vai faltar quem diga “nossa, como você engordou.” Ou “Ih, você está magra demais!” Ou “já está na hora de voltar pro corpo de antes.” Como se ser quem se era antes, depois da mais transformadora das experiências, fosse uma opção. Como se você não tivesse espelho em casa. Como se você não tivesse um guarda-roupa cheio de jeans que não entram mais.
 Como se as mudanças físicas não fossem apenas uma gota no oceano do que ocorre com uma mulher dentre tantas transformações trazidas pela maternidade.

Pouquíssimas pessoas chegarão até você com um elogio, um “que mãe maravilhosa você é!” ou um “a maternidade te deixou um ser humano mais lindo.” E eu acredito que a maioria das mulheres considere sua versão mãe como a melhor. Mas a sociedade nos exige demais e nós inconscientemente adquirimos o péssimo hábito de exigir de nós mesmas. Desenvolvemos uma insatisfação crônica com quem somos porque quem somos na realidade não se compara mesmo as capas de revistas com a celebridade de barriga chapada 6 semanas depois de parir e artigos do tipo “como voltar ao corpo de antes.”

Não existe nada de errado em se cuidar, querer melhorar, ser vaidosa. Para algumas mulheres isso vem com facilidade, para outras não e tudo bem. Suporte também é essencial, porque em meio a tantos “conselhos” poucas são as pessoas que lembram de oferecer AJUDA (não falta quem comente nas suas unhas por fazer, mas ninguém se oferece para ficar com o bebê enquanto você vai lá faze-las). No entanto, não importa se você tem uma rede de apoio ou não, se você está acima do peso ou não, é imprescindível se AMAR durante essa jornada, se aceitar, se entender como pessoa dentro de um processo (às vezes doloroso) de transformação.

Você é linda. Por dentro e por fora. Seu corpo gerou e carregou o maior presente da vida! Em se dedicar a esse presente, talvez você tenha esquecido um pouco de você e tudo bem. Tudo bem! Há tempo. Há tempo para perder quilos e recuperar condicionamento. Ou não, se você se sente feliz como está agora. Há tempo para aprender a lidar com uma nova situação, uma nova realidade, uma nova mulher. Mas se ame. Hoje e todos os dias. Seja gentil com você mesma. Ignore as vozes negativas. Enalteça suas qualidades. Reconheça seus sacrifícios. Sinta orgulho da sua luta e do fato de que você se supera todos os dias. Cada uma da nossas cicatrizes, física ou não, conta uma história. Sem elas você não seria quem é, sem elas seu filho não teria vindo ao mundo. Se ame! E ame as mães ao seu redor. Empatia e gentileza são duas das coisas mais belas desse mundo! Se pudéssemos nos enxergar pelos olhos dos nossos filhos, nunca mais duvidaríamos da nossa beleza.

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