De uma mãe para outra: abrace seus filhos! 

Eu estava colocando o Liam para dormir (ele faz a soneca da tarde na minha cama), quando ele adormeceu resolvi checar o Facebook rapidamente antes de levantar para fazer as milhares de coisas que tenho para fazer. Esse era o plano. Até ler o post de uma mãe de 8 que uma amiga americana havia compartilhado. Gente, não consigo levantar! Não consigo soltar meu filho. Chorei. Fiquei profundamente comovida. Por isso que nos meus textos do Instagram falo tanto em valorizar os pequenos momentos que temos com nossos filhos. É tão fácil focar nas dificuldades do dia-a-dia, gente. É tão fácil se estressar diante da montanha de afazeres diários. É tão fácil deixar passar a felicidade que pode ser encontrada nos pequenos detalhes. Por isso que tento sempre encontrar poesia nos banhos na pia e música na correria pelos corredores de casa. Mas no momento eu gostaria de compartilhar com vocês as palavras dessa mãe que são infinitamente mais tocantes do que qualquer coisa que eu possa escrever. É longo mas eu tive que traduzir. Merece ser lido por todas as mães:

“Como alguns de vocês sabem, estou vivenciando o pior medo de toda mãe. No dia 2 de junho, eu perdi o meu filho mais novo, em um acidente horrível de carro. Eu estava dirigindo. Eu havia parado em um posto de gasolina, verificando cada fivela (dos cintos de segurança das cadeirinhas), antes de começar a dirigir pela estrada montanhosa e curvilínea para a casa da minha família. Meu filho (de 4 anos) era notório por fazer tudo o que podia para soltar o cinto da cadeirinha. “O Flash não usar cinto de segurança, e eu sou o Flash, mamãe,” ele dizia. Tentámos cadeirinhas diferentes, cintos de 5 pontos, tentamos até instalar um zíper (o que provavelmente também não seria seguro), mas ele sempre viu isso como um desafio de super-herói. Ele era um super-herói porque ele sempre conseguia soltar o cinto. Em média, eu normalmente parava três ou quatro vezes em qualquer viagem para colocar o cinto de segurança nele novamente. Estávamos na estrada há apenas cinco minutos quando uma grande pedra rolou para meu lado da pista. Eu tinha três opções: tentar passar pela pedra, passar para a pista contrária de um estrada com curvas ou o rio violento do outro lado. Pedra, colisão de frente, rio. Eu escolhi a pedra. Eu escolhi errado. E sim, meu filho já tinha soltado o cinto junto com seu irmão de 8 anos. (Eles estavam tentando trocar de assento e eu não sabia.) A pedra atingiu o eixo da direção, e nos arremessou em queda livre para o lado do penhasco. Nossa van de 13 passageiros rolou e meu filho se foi instantaneamente.

Nossas vidas foram imediatamente dilaceradas. O menino que tinha sido o meu orgulho e alegria foi cruelmente tirado de mim em questão de segundos. Lembro-me de ser esmagada entre o console (sem airbag acionado) e nossa van de três toneladas. Eu tinha sangue por toda parte. Eu lutei e lutei e depois apaguei. Quando acordei, eu estava soltando o cinto da cadeirinha da minha bebê (ela estava de cabeça para baixo) e tentando resgatar cada um dos 5 dos meus filhos que estavam comigo para fora da van. Quando encontrei Titus, eu tentei com todas as minhas forças levantar a van pesada de cima do seu corpo minúsculo. Meu filho de 8 anos de idade estava tentando me ajudar. Eu só podia ver a metade inferior de seu corpo. Eu esfreguei sua barriga e tentei fazer leves compressões . Mas ele já tinha ido. Ele se foi instantaneamente, o que me traz algum conforto, porque eu sei que ele não sentiu dor.

O que aconteceu depois ficou embaçado. Eu recusei o tratamento dos paramédicos até que eles me deixassem abraçar o meu filho morto. Todos os meus filhos foram levados de ambulância para serem cuidados. Eu fui levada de helicóptero e sedada, por causa do choque eu estava inconsolável. Foi dois dias depois que eu vi tudo no Facebook. A reportagem relatando a morte de meu filho como se estivessem relatando uma mudança na previsão do tempo, ou a descoberta de um novo planeta. Eu estava grata por eles relataram que nenhuma droga ou álcool contribuiu para o acidente. Mas não é isso que machuca. Os leitores comentaram as coisas mais cruéis sobre como eu era uma mãe horrível. Como eu merecia. Como meus filhos deveriam ser tirados de mim. Eu queria dar um soco nessa gente toda, chacoalhar essas pessoas. Eu queria contar o quão próximos nós éramos, o quão duro eu batalhava para manter meu filho sempre seguro. Como nós tínhamos um beijos especial de boa noite e uma saída para o McDonald, só eu e ele, toda semana. Eu queria gritar como ele sempre me disse que queria se casar comigo porque eu era a melhor mamãe do mundo. Como ele construía navios de Lego só para mim, e como ele tirava sonecas na minha cama, segurando minha mão com os dedos pequenos e cheios de covinhas. Mas ninguém teria me escutado de qualquer maneira. E por isso estou escrevendo isso aqui, para vocês Mamães, porque eu tenho um desejo enorme de olhar para cada uma de vocês nos olhos e dizer isto:”Abrace forte seu bebê!” Isso é tudo que eu quero gritar para o mundo.

Eu não sou quem eu já fui um dia; morte e perda mudam uma pessoa de dentro para fora. Eu segurei o corpo do meu filho morto no meio de uma rodovia, e enquanto eu o balançava, eu gritava pedindo a Deus para trazê-lo de volta. Eu tive que escolher o terreno onde eu teria que enterrar meu menino de quatro anos, enquanto eu contemplava saltar do penhasco perto do cemitério apenas para que eu pudesse estar junto dele. Eu comprei uma fantasia de super-herói de 200 dólares para o meu filho vestir enquanto ele se decompõe na terra. Eu beijei um cadáver de novo e de novo e chorei traçando seu rosto gelado e segurando sua mão ainda cheia de covinhas, mas sem vida. Eu dormi em um cemitério apenas para tentar tirar uma última soneca com ele. Eu falei com terra. Com o chão onde ele se encontra com seu cobertorzinho e sua fantasia de Vingadores.

Mas o que eu quero dizer mesmo (e se você leu até aqui, você é muito paciente e muito gentil) é isto. E você pode compartilhar com todas as mães que você conhece:

Talvez não comer todo o brócolis no jantar não é tão importante quanto se poderia pensar. Observem como seus filhos comem, assistam seu ódio pelo milho (oh como Titus odiava milho). Talvez eles possam devorar um sorvete de sobremesa – mesmo que só às vezes – enquanto os legumes e vegetais ainda sentam no prato.

Aprenda a brincar de faz-de-conta. Entre no mundo deles. Aprenda a jogar Xbox com eles. Acomode a incrível e passageira imaginação deles. Deixe que eles realmente acreditem que são o Capitão América ou a Rainha Elsa. Entre na mente deles, veja como funciona. A louça pode esperar.

Aceite todos os abraço e beijos que seus filhos lhe ofertarem- até o vigésimo quinto que eles usam como desculpa apenas para sair da cama à noite. E realmente os abrace de volta.

Pare e repare nos insetos, nas rochas, nos gravetos, no pôr do sol. Tenha calma, mamãe. Tenha calma.

Diga aos seus filhos que você os ama. Mas olhe em seus olhos e diga com convicção. Diga-lhes que podem fazer qualquer coisa – qualquer coisa que eles se propuseram a fazer.

Sim, devemos responsabilizá-los e impor limites. Mas Talvez, apenas talvez, eles não ficarão permanentemente  “estragados” se deixarmos uma ou outra  coisa passar.
NUNCA julgue outra mãe. Nós não sabemos a história toda, não sabemos. Nós simplesmente não sabemos.

Vá abraçar seu bebê nesse exato momento. Mergulhe em seu cheiro, olhe para o brilho inocente em seus olhos que se perde em algum lugar entre a infância e a idade adulta. Realmente sinta como ele te espreme forte em cada abraço. Deixe seu telefone de lado e o veja através da lente de seus olhos não só a lente de sua câmera. Lembre-se da sensação da cabeça dele em seu ombro, a mão dele na sua, os beijos molhados em suas bochechas. Amamente mais uma vez. Sono é superestimado. Ouça cinco minutos mais sobre Star Wars, Minecraft e princesas da Disney.

Mamães, abracem seus filhos apertado! Como vocês são abençoadas por terem sido confiadas com esses incríveis e minúsculos seres humanos.

Do meu coração para o seu,

Ashley Grimm”

Anúncios

2 comentários em “De uma mãe para outra: abrace seus filhos! 

  1. Minha nossa! Que triste! Não consigo parar de chorar, jamais imaginaria minha vida sem meus três filhos, mesmo estando exausta e não sabendo mais quem sou além de mãe. E dói demais imaginar o que está mãe passou. Deus proteja meus filhos.

    Curtir

  2. Meu Deus, to aos prantos aqui!
    Não só pela história, mas pela realidade em que vivemos, a correria do dia-a-dia, nossas crianças na escola, o trabalho, a faculdade, perdemos muito tempo com a tecnologia!
    Nooossa, esse texto é um baita ensinamento, é um aprendizado de vida, quero chegar as 18 horas e abracar tão forte meu Otávio que tem praticamente 2 ano e meio e dizer o quanto ele é importante para mim, e lembrar-lo que AMO MUITO ELE.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s