Sobre as infelizes colocações de Levy Fidelix:

Quanto ódio infundado cabe dentro do coração de um ser humano? E quanto mais escrachado esse ódio precisa tornar-se para que as pessoas o reconheçam e o combatam?

Mais do que a ignorância do Sr. Fidelix, o que me indignou realmente foi ler tantos comentários de pessoas o defendendo nas redes sociais; pessoas que não reconhecem as colocações do candidato como homofóbicas. Que triste constatar tanta falta de sensibilidade e solidariedade ao próximo. Liberdade de expressão não significa liberdade para ofender e denegrir, ainda mais durante um debate presidencial em rede nacional.

Fidelix associou a homossexualidade à pedofilia (!) e a encara como um “problema psicológico” que precisa ser tratado. Se você não enxerga esse discurso como um de ódio e ofensa, sinto muito mas quem tem “um problema” aqui é você.

Realmente “aparelho excretor não reproduz.” Ninguém vai discutir o contrário. Mas será essa a real essência de um casamento? Nos unimos em matrimônio tão somente com a intenção de procriar? Assim sendo, o que acontece com os casais heterossexuais que não têm filhos por escolha ou por infertilidade? A união deles seria invalidada então? O amor questionado?

“Multiplicai-vos e enchei a terra”, sim, está lá na bíblia. Mas “amai-vos uns aos outros” também está. E sabe o que mais a bíblia ensina? Compaixão, tolerância, solidariedade. O Novo Testamento foca muito mais na fé e renascimento espiritual do que na procriação. Se a regeneração espiritual e o renascimento em Cristo também são maneiras de aumentar a família de Deus, um casal homossexual que adota uma criança e a educa conforme a doutrina Cristã também estaria cumprindo o seu papel, não? Se de um ponto de vista teológico o matrimônio consiste de uma união de doação e renúncia mútuas que reflita o amor de Deus por nós e aumente Sua família, dois homens ou duas mulheres conseguem cumprir esse propósito tão bem quanto um homem e uma mulher (alguns até com muito mais êxito).

No entanto, muito mais importante do que qualquer debate religioso é o fato de que o Brasil é um Estado laico, ou seja, existe a separação entre Estado e Igreja. A Constituição nos garante liberdade de culto religioso (como também a liberdade de não praticar religião alguma), sendo assim candidato nenhum deve levar em consideração suas crenças pessoais quando elaborando seus projetos de governo. Seu papel como representante do povo é justamente fazer com os direitos constitucionais sejam acessíveis a todos, inclusive aqueles com um estilo de vida da qual ele(a) discorde. Não se faz legislação com opiniões pessoais sobre religião e moralidade.

Pelo o que o Levy Fidelix já viu da vida em seus sessenta e dois anos “dois iguais não fazem filhos.” Acho que sou uma pessoa infinitamente mais afortunada, porque pelo o que já vi da vida em apenas vinte e oito anos, dois iguais podem até não fazer filhos, mas dois iguais ainda podem fazer muito AMOR.

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